sábado, 14 de abril de 2012

Falando dos ranchos...



Como vocês já sabem, estou desenvolvendo uma homenagem aos antigos ranchos carnavalescos no enredo da Escola Virtual Amazônia. Estas agremiações serviram de base para as escolas de samba, que surgiram depois. Dentre os diversos ranchos que abrilhantaram o carnaval carioca, o que mais se destacou foi o Ameno Resedá, cuja sede ficava na região da Glória e Catete, bairros próximos ao Centro do Rio de Janeiro. O encantamento dos ranchos e a fama do Ameno Resedá me inspiram na construção do meu trabalho, mas também já inspiraram Aldir Blanc, Franklin da Flauta, Luiz Claudio Ramos que compuseram uma linda canção. O título da música leva o nome de Santo Amaro, ladeira que desce de Santa Teresa à Glória. A letra da canção cita a fundação do rancho em um passeio em Paquetá, alguns ranchos rivais, os sobrados antigos do Catete e até a obra do metrô, que destruiu edifícios mais antigos. Seguem abaixo a letra e o vídeo para quem quiser escutar a música.



Santo Amaro
Aldir Blanc/ Franklin da Flauta/ Luiz

Claudio Ramos Eu ia a pé lá da ladeira Santo Amaro
até a rua do Catete num sobrado onde você residia
e te levava prum passeio em Paquetá
onde nasceu num pic-nic o nosso rancho
o Ameno Resedá
Verde, grená e amarelo nossas cores
Resedá, vocês são flores como flor era a Papoula do Japão
Tua rival saiu na Flor de Abacate
de destaque no enredo da Rainha de Sabá
Os lampiões, os vagalumes, você triste com ciúmes
eu charlando, resmungando que melhor era acabar
Pobre farsante de teatro ambulante
meu amor de estudante nao soube representar e o casamento
aconteceu, vieram
filhos, muitos netos
muitas dores, muitos tetos
mas o amor a tudo isso ultrapassou
Hoje, sozinho, eu voltei feito andorinha
à Pedra da Moreninha onde tudo comecou
Olhando o mar, pensei na vida ao teu lado
como um choro do Callado, um piano em Nazareth
Saudade grande o dia inteiro, mas com jeito de alegria
do pandeiro de Gilberto no Jacob
Pra cada dó, um sol maior, um lá sereno,
a harmonia do ameno, o amor do resedá
Eu funcionário aposentado, coração não conformado
antigo e novo feito lua em Paquetá
Passou a vida com os ranchos, desfilando
União da Aliança, caprichosa em estrelas desenganos
desci por ela como desço ainda hoje
a ladeira Santo Amaro até o sobrado que o metrô matou
Bom era ir, batendo perna, tomar chope na Taberna
é outra história, é uma glória, ser da Glória
o que é que há ?
O rosto dela vela o Rio de Janeiro
como a virgem do outeiro
guarda o Ameno Resedá

terça-feira, 20 de março de 2012

Estudos baseados em sambas.


"Clareou na ilha da magia
No esplendor era um ser de prata que surgia

E voou em busca da sabedoria

Os mistérios do Oriente nas asas da poesia..."

Viradouro 1999: Anita Garibaldi - Heroína das 7 magias


 
"Vem
Ouvir de novo o meu cantar
Vem ouvir as pastorinhas..."
Mangueira 1984: Yes, nós temos Braguinha 

"...Pierrot beijando a Colombina
Chuva de confete e serpentina..."
Portela 1995: Gosto que me enrosco

  
"Pedras preciosas quero me enfeitar
Encantar a índia com o meu olhar
Só Tupã sabia
Que eu não podia me apaixonar "
Unidos da Tijuca 1999: O dono da terra



 
"...E a mulata que era escrava
Sentiu forte transformação
Trocando o gemido da senzala
Pela fidalguia do salão..."

Salgueiro 1963: Chica da Silva

sexta-feira, 16 de março de 2012

Jacarezinho 2012

Figurinos desenhados para a escola de samba Jacarezinho para o carnaval 2012
Carnavalesco: Eduardo Gonçalves
Enredo: O samba agoniza mas não morre. Nelson Sargento da Mangueira e também do Jacaré!


Comissão de Frente

1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Rainha de Bateria

2º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira

3º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Destaques

quarta-feira, 14 de março de 2012

Alegria das Zona Sul 2012



Trabalho na Alegria da Zona Sul no carnaval 2012. Desenhei fantasias e ajudei a decorar os carros alegóricos.
Carnavalesco: Eduardo Gonçalves.
Enredo: Os Saltimbancos


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sinopse Escola Virtual da Amazônia 2012


Apresentação:

Inspirada na música “Rancho da Natureza” de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, a E.V.A propõe um viagem pelas belezas naturais, tendo como cenário os saudosos ranchos carnavalescos. Será possível ver as belezas da natureza desfilando como se fizessem parte de uma dessas antigas agremiações carnavalescas.


A E.V.A. reviverá tempos memoriáveis do fascinante carnaval carioca quando novos valores artísticos despontaram. No início do século XX, ranchos desfilavam pelas ruas do Rio: “Rei de Ouro”, “Recreio das Flores”,“Flor de Abacate”, “Mimosas Cravinas”, entre outros. O “Ameno Resedá” inovou na sua forma de apresentação e conquistou diversos admiradores por onde passou com a associação imponente de orquestra, coral, fantasias luxuosas e alegorias figurando sobre um tema. Nesse “teatro lírico ambulante”, trechos de óperas e marchas lentas eram cantados por excelentes cantores e coros masculino e feminino. Renomados músicos tocavam na orquestra de cordas e sopro. Mais tarde algumas destas características foram absorvidas pelas escolas de samba, que cresceram e substituíram os ranchos no carnaval carioca.


Nos tempos em que o carnaval das escolas de samba chega à internet, nossa agremiação remete à origem desse modelo de desfile aprendendo um pouco também com o “rancho-escola” Ameno Resedá. Assim, a E.V.A mostrará como a influência dos ranchos permanece presente no carnaval e como a mais primordial fonte de inspiração, a natureza, pode ainda resultar no “maior espetáculo da tela”!

  
Sinopse:

Rancho da Natureza

Em uma bela manhã de carnaval, o Rancho da Natureza começa a desfilar:

“O céu é a bandeira se abrindo
Pro rancho mais lindo dos ranchos que há
O mar é uma só passarela
É a maior e a mais bela pra se desfilar
O sol é o corso de gala
É o carro abre-ala que clareia o mar
A flor é a simplicidade
Que enfeita a cidade pro rancho passar
E o rancho da natureza vai se apresentar...”
(Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro)
Uma revoada de gaivotas anuncia que um cortejo deslumbrante está chegando à terra firme. Sobre as águas, trazido por Apolo em uma carruagem, o Sol derrama seus feixes dourados. É o carro abre-alas que pede passagem ao público em alvorada e ilumina o dia para a natureza desfilar.

O arco-íris empresta as suas cores para colorir a agremiação que é decorada pelas mais delicadas e perfumadas flores. Um Resedá de ameno perfume, uma Flor de Abacate, um cravo mimoso, uma Rosa Branca abrilhantam e enchem de perfume a passagem do rancho como figurantes no enredo. Um beija-flor mestre-sala corteja uma flor, a sua linda porta-estandarte rosa-mulher. Nesse bailado, jovens zangões armados protegem a rosa para que nenhum outro beija-flor venha roubá-la.

Em coro, rouxinóis e cigarras cantam uma linda canção e uma passarada acompanha o rancho. O uirapuru como mestre de canto é o cantor do mais belo canto. A solene orquestra da natureza toca um trecho de “O Guarani”, de Carlos Gomes e uma doce marcha-rancho de Lamartine Babo. O instrumental retumbante do rancho arranca aplausos eufóricos do público presente. Violão, cavaquinho, flauta, trombone, pinston, saxofone, clarinete e pandeiro entoam célebres melodias tocadas pelo vento.

Surge no cortejo o estandarte ricamente decorado com o símbolo totêmico da nossa sociedade carnavalesca, o guaraná. Uma revoada de coloridas aves tropicais anuncia um mergulho na mata fascinante com a chegada da mais bela alegoria rodeada por orquídeas e macacos saltitantes. A floresta Amazônica convida o público a navegar pelo Rio Amazonas e a conhecer os encantos da mata.

Eis que o Rancho da Natureza surpreende a todos com a passagem dos próximos componentes. O sereno traz a frescor da noite, as estrelas e a lua vaidosa iluminam a rua como gambiarras, seres noturnos desfilam sob o luar em um clima de mistério. No auge do instrumental a Natureza mostra-se em toda a sua beleza e, aclamado pelo público e pela imprensa, o Rancho da Natureza outra vez vence o carnaval!

Autor: Rafael Gonçalves




Música citada:

Rancho da Natureza (Paulo César Pinheiro, Mauro Duarte) – Intérprete: João Nogueira, participação Paulo César Pinheiro http://www.youtube.com/watch?v=R7HpYdHwdRY


Bibliografia

Efejê, Jota. Ameno Resedá: o rancho que foi escola. 2. ed. Rio de Janeiro: Funarte, 2009.
Ferreira, Felipe. O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.
Gonçalves, Renata de Sá. Os Ranchos Pedem Passagem. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 2007.


Outras referências musicais:

Ameno Resedá (Ernesto Nazareth) – Intérprete: Rancho Carnavalesco Flor do Sereno http://www.4shared.com/audio/2E2Ae28t/08_Ameno_Resed.html

Estrela do Mar (Marino Pinto, Paulo Soledade) – Intérprete: Dalva de Oliveira http://www.youtube.com/watch?v=EhHKTBOsBPI&list=FLw175oWGiRa1UFxmvDQT76A&index=7&feature=plpp_video

Flor de Abacate (Álvaro Sandim ) – Intérprete: Rancho Carnavalesco Flor do Sereno http://www.4shared.com/audio/y9D2pSJ2/13_Flor_do_Abacate.html

Marcha do Ameno Resedá (Dona Ivone Lara - adaptação) – Intérprete: Dona Ivone Lara http://www.4shared.com/audio/XaiuMiZe/Marcha_do_Ameno_Resed_-_Dona_I.html

O vento e a rosa (Assis Valente) – Intérprete: Clara Nunes http://www.youtube.com/watch?v=_OJnc2TXis0

Os rouxinóis (Lamartine Babo) Intérprete: Os rouxinóis http://www.youtube.com/watch?v=Glozprbx-oI

Rancho da Primavera (Monarco) – Intérprete: Clara Nunes http://www.youtube.com/watch?v=BNbmP036mO0


Rancho das Flores (Vinicius de Moraes, Johann Sebastian Bach) – Intérprete: Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro http://www.youtube.com/watch?v=Q3IlsWMgTpE&feature=player_embedded

Risos e lágrimas (José Ribeiro, Ruben Brandão, Nelson Cavaquinho) – Intérprete: Clara Nunes http://www.youtube.com/watch?v=jfPgVEG12NU

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Caderno de Croquis EVA 2011

Croqui Ala 01 - Berço Iorubá

Para fechar o ano, mostro um pouco de como foi o desenvolvimento do trabalho na EVA em 2011. Apresento o caderno de croquis em que eu rabisquei as minhas ideias, fiz os meus estudos e testes de cor. No final, é claro, o caderno ficou pequeno para tantas ideias e os últimos croquis foram feitos em folhas separadas. Alguns figurinos ficaram muito diferentes das ideias iniciais como as alas da Guanabara e da modinha, outros passaram por adaptações como as alas da corte de Dom Obá e Berço Iorubá. Um pouco das primeiras ideias dos carros alegóricos também estão no post. Este caderno fica como um registro do meu processo de criação e comprova a importância do desenho nesse processo como forma de organizar, observar e comparar as ideias.
Muito obrigado, então, a todos que me apoiaram nesse ano e me incentivaram. Feliz ano novo pra todos!