Como vocês já sabem, estou desenvolvendo uma homenagem aos antigos ranchos carnavalescos no enredo da Escola Virtual Amazônia. Estas agremiações serviram de base para as escolas de samba, que surgiram depois. Dentre os diversos ranchos que abrilhantaram o carnaval carioca, o que mais se destacou foi o Ameno Resedá, cuja sede ficava na região da Glória e Catete, bairros próximos ao Centro do Rio de Janeiro. O encantamento dos ranchos e a fama do Ameno Resedá me inspiram na construção do meu trabalho, mas também já inspiraram Aldir Blanc, Franklin da Flauta, Luiz Claudio Ramos que compuseram uma linda canção. O título da música leva o nome de Santo Amaro, ladeira que desce de Santa Teresa à Glória. A letra da canção cita a fundação do rancho em um passeio em Paquetá, alguns ranchos rivais, os sobrados antigos do Catete e até a obra do metrô, que destruiu edifícios mais antigos. Seguem abaixo a letra e o vídeo para quem quiser escutar a música.
Aldir Blanc/ Franklin da Flauta/ Luiz
Claudio Ramos Eu ia a pé lá da ladeira Santo Amaro
até a rua do Catete num sobrado onde você residia
e te levava prum passeio em Paquetá
onde nasceu num pic-nic o nosso rancho
o Ameno Resedá
Verde, grená e amarelo nossas cores
Resedá, vocês são flores como flor era a Papoula do Japão
Tua rival saiu na Flor de Abacate
de destaque no enredo da Rainha de Sabá
Os lampiões, os vagalumes, você triste com ciúmes
eu charlando, resmungando que melhor era acabar
Pobre farsante de teatro ambulante
meu amor de estudante nao soube representar e o casamento
aconteceu, vieram
filhos, muitos netos
muitas dores, muitos tetos
mas o amor a tudo isso ultrapassou
Hoje, sozinho, eu voltei feito andorinha
à Pedra da Moreninha onde tudo comecou
Olhando o mar, pensei na vida ao teu lado
como um choro do Callado, um piano em Nazareth
Saudade grande o dia inteiro, mas com jeito de alegria
do pandeiro de Gilberto no Jacob
Pra cada dó, um sol maior, um lá sereno,
a harmonia do ameno, o amor do resedá
Eu funcionário aposentado, coração não conformado
antigo e novo feito lua em Paquetá
Passou a vida com os ranchos, desfilando
União da Aliança, caprichosa em estrelas desenganos
desci por ela como desço ainda hoje
a ladeira Santo Amaro até o sobrado que o metrô matou
Bom era ir, batendo perna, tomar chope na Taberna
é outra história, é uma glória, ser da Glória
o que é que há ?
O rosto dela vela o Rio de Janeiro
como a virgem do outeiro
guarda o Ameno Resedá






















